THE DELAGOA BAY REVIEW

06/03/2012

LOURENÇO MARQUES, HÁ 135 ANOS, NUMA TERÇA-FEIRA, DIA SETE DE MARÇO

Mapa de Lourenço Marques em 1903, com algumas alterações até 1906, mandado fazer pela Comissão de Melhoramentos do Porto de Lourenço Marques (equipa chefiada pelo Capitão-Tenente Hidrógrafo Hugo de Lacerda). Nesta altura a cidade já reflectia duas das grandes obras da equipa de Joaquim José Machado: a Poente, a linha de caminho de ferro para a África do Sul e o desenho topográfico do que hoje é a parte central de Maputo. Até à Independência, a Praça 25 de Junho tinha o nome de Praça 7 de Março (de 1877), o dia em que Joaquim José Machado e a sua equipa chegaram à então espelunca imunda que era a vila de Lourenço Marques.

Faz hoje 135 anos que eles chegaram. Era uma terça-feira.

A minha cara Cristina Pereira de Lima, filha do grande Alfredo Pereira de Lima, biógrafo do que é hoje a capital de Moçambique, gentilmente enviou o texto em baixo, que reproduzo mais ou menos como recebi, adicionando eu apenas dois parágrafos e as imagens em cima em baixo:

Foi há 135 anos, no dia 7 de Março de 1877, que chegou a Lourenço Marques a expedição de Obras Públicas…

O dia 7 de Março foi um dia histórico para a cidade de Lourenço Marques, porque foi nesse dia que desembarcou a expedição de engenheiros enviada por El-Rei Dom Luis I, e pelo ministro Andrade Corvo, para desenvolver a vila.

Num dos seus depoimentos, afirmou Eduardo de Noronha:

“ É desde o desembarque da Expedição que datam os melhoramentos materiais da Cidade, assim como é indiscutível que esta plêiade brilhante de rapazes inteligentes, saídos da escola, entusiásticos e vigorosos, deram um impulso moral enorme ao presídio, onde o nível intelectual não acusava grandes elevações.”

No seu livro “Casas que fizeram Lourenço Marques” Alfredo Pereira de Lima descreve a chegada da expedição:

…”Foi à expedição de Obras Públicas enviada pelo Ministro Andrade Corvo e que aqui chegou em 7 de Março de 1877, chefiada pelo major de engenheiros, Joaquim José Machado, e a seu trabalho insano, realizado em íntima colaboração com a Câmara Municipal, que Lourenço Marques ficou devendo grande parte do seu progresso.

Essa expedição trouxe até nós técnicos e operários competentes e dedicadíssimos. Foram todos eles homens que se apaixonaram, desde a primeira hora, pela bela obra que seria arrancar Lourenço Marques da sua letargia e pô-la definitivamente no caminho do progresso.

Além do engenheiro director, major Joaquim José Machado, vieram mais três engenheiros, chefes de secção (capitães de engenheiros Afonso de Morais Sarmento, João António Ferreira Maia e o tenente de artilharia, Alfredo Augusto Barros Viana); sete condutores de 1ª classe (tenentes Caldas Xavier, João Carlos Ribeiro, João Maria Pereira, Augusto César Simões, José Eduardo Lopes e os civis Jeremias Willhouse e Francisco Correia Leotte); três condutores de 2ª classe (tenente Joaquim José Lapa, António Sebastião do Nascimento Costa e o civil D. João José de Melo) ; seis condutores auxiliares (alferes António Nunes Bouças, Francisco Augusto Ferreira, João Brito Vaz Coelho, Adolfo Ascanio de Morais Palha, José Alfredo da Cunha Barros, Eduardo Alcântara Ferreira) e ainda desenhadores, apontadores e pessoal operário. Dos operários vindos para armar dezanove barracões de madeira e zinco que a expedição trazia consigo para suprimento da falta de habitações e se ergueram na actual Rua Serpa Pinto e hoje já não existem, Augusto Baptista de Carvalho foi, dos que mais se distinguiu. Depois dedicou-se á construção civil por sua conta e conquistou lugar de prestigio na sociedade da época………

….foram esses homens , técnicos e operários – arrojados e inteligentes – que a Metrópole nos enviou e aqui fizeram escola, que deram um impulso enorme ao desenvolvimento da vila pobre que então era Lourenço Marques. Eles souberam compensar bem os sacrifícios enormes que o Governo Central suportou ao enviar para aqui e manter sem vacilações essa dispendiosa Expedição de Obras Publicas à força de subsídios enviados da Metrópole.

Esses construtores da nova fase da vida de Lourenço Marques que sob a direcção inteligente do major Joaquim José Machado, aqui deixaram uma obra extraordinária em todos os campos, não só na construção civil mas ainda em outras actividades intelectuais e sociais, merecem o nosso mais profundo respeito……”

A esta famosa expedição se deve ainda a trabalhosa drenagem do pântano que asfixiava a vila pobre que naquele tempo era Lourenço Marques.

Para além disso, o seu chefe, Joaquim José Machado, fez o traçado da linha de caminho de ferro que a partir de 1895 ligou Lourenço Marques a Pretória e, adicionalmente, quando o governo português confiscou no final de Junho de 1889 a empreitada inacabada da linha ao consórcio do norte-americano Eduardo Macmurdo, foi Machado quem a reparou e completou.

A estação de caminho de ferro de Lourenço Marques e o Monumento da I Guerra Mundial, aqui nos anos 1930, postal da Newman Art Publishing Company, Cape Town. Quando a linha desenhada e completada por Joaquim José Machado começou a operar em 1895, a “estação” era um barracão desolado situado mais atrás do actual edifício, que foi inaugurado em Março de 1910.

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