THE DELAGOA BAY REVIEW

29/02/2012

SAMORA MACHEL REVISITADO: A PERSPECTIVA DE BARNABÉ LUCAS NCOMO

Samora Machel e o Dr. Eduardo Mondlane, na visão idílico-marxista.

Lendo o combativo semanário Canal de Moçambique de hoje, encontrei na sua página 12, remanescentes de um algum passado num texto discretamente intestino-neo-cafreal-pós-colonial. O que achei positivamente evolutivo, dado o precedente da acusação de má companhia em que me achei uma vez em 1, 2, 3 e 4. Talvez o suporte de um blogue seja diferente do de um jornal. Será? Este blogue é meu. Talvez seja essa a diferença.

Resumo: a recente carga branca dos aviões da TAP nem sempre será do agrado de todos os autóctones, o que poderá ser uma chatice.

Mas neste caso, a má companhia a que me refiro acima – claro – não sou eu, mas a quase contundente análise – a segunda parte, depreendo, que se encontra a partir da página 18 do Canal de Moçambique, da mão de Barnabé Lucas Ncomo, que vai em total contraciclo com o exercício de brainwashing nacional em curso na terra do carvão e do camarão.

Merece uma leitura atenta, se crítica.

Afinal, Samora Machel, e os seus vinte anos na vida pública moçambicana, não são assunto fácil de descarnar. Quem sabe não fala e muitas vezes quem fala, fala mal.

Com profunda vénia para o autor e o jornal, aqui vai.

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26/08/2011

WIKILEAKS MOÇAMBIQUE 2011: O REGRESS…ZZZZZZZ

Filed under: Imprensa Moçambique, Mundo, Wikileaks — ABM @ 12:18 am

Para quem pensava que o fenómeno Wikileaks despareceu, não sei se reparou no que aconteceu durante a noite de ontem no seu sítio na internet. Dou um pequeno exemplo da avalanche, no que respeita a Moçambique:

<<1 .. 1 2 .. 16>>
Reference ID Subject Created Released Classification Origin
02MAPUTO76 SADC DECLARATION ON TERRORISM 2002-01-16 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
03MAPUTO1652 CONSULAR NARRATIVE FOR MOZAMBIQUE 2003-11-25 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
03MAPUTO558 INTERIOR MINISTER ENGAGED ON COUNTER-TERRORISM 2003-12-17 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
03MAPUTO1752 2003-2004 INCSR SUBMISSION – MOZAMBIQUE 2003-12-18 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
03MAPUTO1755 MOZAMBIQUE INCSR PART II SUBMISSION – MONEY 2003-12-18 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO13 USAID/DCHA/OFDA ASSESSMENT VISIT TO 2004-01-06 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO30 DECEMBER MONTHLY ECONOMIC WRAP-UP: MOZAMBIQUE 2004-01-08 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO70 2003 BFIF CLOSE OUT 2004-01-16 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO84 FY O4 BFIF PROPOSAL 2004-01-20 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO99 Mocumbi – His days are numbered, it would seem 2004-01-21 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO112 IMMIGRATION & VISA FRAUD IN AND OUT OF MOZAMBIQUE 2004-01-23 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO148 MOZAMBIQUE AS PILOT COUNTRY FOR EVIAN 2004-02-02 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO167 SELF-HELP PROGRAM – INTERIM PROJECT REPORT FOR FY 2004-02-05 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO168 SOUTH AFRICAN DEVELOPMENT 2004-02-05 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO173 DHRF SOLICITATION FOR FY2004 2004-02-09 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO180 JANUARY MONTHLY ECONOMIC WRAP-UP: MOZAMBIQUE 2004-02-10 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO197 LETTER FROM PRESIDENT CHISSANO 2004-02-13 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO198 FY-2004 SPECIAL SELF-HELP FUNDING REQUEST 2004-02-13 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO204 CTAG MEETING IN MAPUTO 2004-02-17 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO220 PRESIDENT CHISSANO APPOINTS NEW MOZAMBICAN PRIME 2004-02-18 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO235 RURAL ELECTRIFICATION PROJECT IN CABO DELGADO 2004-02-20 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO267 Mozambique: Request for FY 2004 ESF funding 2004-02-25 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO269 MOZAMBIQUE: INPUT FOR PRESIDENT’S REPORT ON AGOA 2004-02-25 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO274 MOZAMBICAN PARTICIPATION IN EVIAN G-8 TRANSPARENCY 2004-02-27 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO284 2003 TRAFFICKING IN PERSONS REPORT FOR MOZAMBIQUE 2004-03-02 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO293 AMBASSADOR DISCUSSES NEC WITH FOREIGN 2004-03-04 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO294 AGOA III: TEXTILE AND APPAREL PRODUCTION 2004-03-04 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO295 PARLIAMENT OPENS FOR 2004 2004-03-04 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO338 SYGSR SWING BRIEFS ON CHISSANO MEETING 2004-03-12 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO340 FEBRUARY MONTHLY ECONOMIC WRAP-UP: 2004-03-12 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO360 MOZAMBIQUE: GEOTHERMAL MARKET DEVELOPMENT 2004-03-16 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO389 ARTICLE 98 WITH MOZAMBIQUE BROUGHT INTO FORCE 2004-03-22 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO464 ALLEGATIONS AND ACCUSATIONS IN NAMPULA: UNCOVERING 2004-04-02 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO487 ATTORNEY GENERAL SEEKS GREATER SUPPORT TO BUILD 2004-04-08 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO505 MARCH MONTHLY ECONOMIC WRAP-UP: MOZAMBIQUE 2004-04-12 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO513 SOLICITATION FOR ANTI-TIP BILATERAL PROPOSAL FOR 2004-04-13 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO547 RWANDAN REPATRIATION SET TO BEING THIS SUMMER 2004-04-21 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO597 MOZAMBIQUE – INL FY 06/07 WORKPLAN 2004-04-30 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO625 APRIL MONTHLY ECONOMIC WRAP-UP: MOZAMBIQUE 2004-05-10 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO635 DHRF STATUS REPORT 2004-05-11 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO636 BCM TRIAL: WAITING FOR A VERDICT ON MAY 25 2004-05-11 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO655 Ambassador Randall Tobias’ Visit to Mozambique 2004-05-13 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO675 ANIBALZINHO ESCAPES AGAIN, GRM EMBARRASSED 2004-05-20 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO689 REQUEST TO SEND TURTLE EXCLUDER DEVICES (TEDs) 2004-05-25 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO701 MOZAMBIQUE CANDIDATURE FOR ICAO 2004-05-27 2011-08-25 UNCLASSIFIED Embassy Maputo
04MAPUTO710 COMNAVEUR VISIT STRESSES MARITIME BORDER CONCERNS 2004-05-28 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO712 MAY MONTHLY ECONOMIC WRAP-UP: MOZAMBIQUE 2004-05-28 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO713 DRAWING ATTENTION TO THE NEED FOR LABOR REFORM: A 2004-05-28 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO733 NAMES, TITLES, AND CONTACT NUMBERS FOR GRM 2004-06-04 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo
04MAPUTO776 ECONOMIC ACTIVITIY INCREASES IN A REMOTE PROVINCE: CABO 2004-06-15 2011-08-25 UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY Embassy Maputo

 

Estou imensamente curioso de ver como é que a imprensa vai analisar isto, quanto mais não seja que pela quantidade de informação a digerir em inglês.

E como a página em cima, há mais quinze iguais.

Mas creio não haver desta vez grandes novidades. Uma análise rápida indica-me que 1) nenhum dos “telegramas” é secreto; 2) os títulos lêem-se como os quase banais cabeçalhos que se lêem em qualquer jornal decente que se publica hoje em dia na cidade de Maputo. Quase que se diria que alguns são transcriçõers de muito do que se sabe, lê e ouve à mesa de um café na cidade. Ou então são o pão com manteiga da vida quotidiana (chata) de uma delegação diplomática num lugar como a cidade de Maputo.

Nessa base algo superficial, dir-se-ia que algum Wilikeak decidiu meramente limpar as gavetas e descarregou a informação para o seu sítio na internet antes de ir para férias.

Ao contrário dos quatro telegramas publicados em Dezembro de 2010, cujo contexto e conteúdo ainda davam algo que pensar (não que, ao que aferi,  tenha feito alguma diferença).

Assim, salvo melhor opinião, americanos, moçambicanos, jornalistas e blogueiros da estratosfera, incluindo este, podem todos dormir em paz esta noite.

Bons sonhos.

18/01/2011

O INÍCIO DE 2011 EM DEZ ACTOS

O ano de 2011 começou bem – ou não?

Or veja-se a minha curta resenha:

1. Depois de uma série de distúrbios na Tunísia, o presidente do regime que o mantém há 23 anos, fugiu. Falta ver o que é que o regime vai fazer a seguir. Diz que vai fazer uma eleição. Mas depois de uma ditadura de 23 anos, o que é que se pode eleger? À primeira vista assunto pouco relevante, mas levanta questões quanto a outros países onde situações com algumas semelhanças existem.

2. O Sudão ensaia uma partição na linha Norte-Sul. Com o petróleo, no meio, por resolver. Hum, tirando a Eritreia, quando foi a última vez que uma nação-estado ao estilo pós-colonial africano fez isto, e viveu para contar a história?

3. Parece não haver maneira de a Costa do Marfim ir ao lugar. O habitual problema: ou se aldraba, ou simplesmente não se liga às leis e aos compromissos eleitorais. No fim, o poder fica na rua, ou com obscuros militares, talvez o menos desejável dos resultados. E uma lembrança da fragilidade dos sistemas e das instituições. E da atitude.

4. Enquanto isso, Jeffrey Sachs, académico e bardo-mor de uma certa forma de desenvolvimentismo chique de Manhattan, que parece que só ele parece saber o que é, elogiou a taxa de crescimento do PIB moçambicano e preconizou em Maputo esta semana finda coisas fantásticas para vir, juntamente com algumas verdades de La Palisse, como aquela de se ter que renegociar alguns contratos milionários para algumas multinacionais e de se ter que ter mais cuidado com as concessões de terrenos agrícolas. É sempre bom ver a realidade de Moçambique quando se vê através de uns relatórios em Nova Iorque.

5. Já Prakash Ratilal, agora tornado banqueiro mercurial e mais próximo do terreno, não é tão optimista quanto aos próximos tempos. Ele lá sabe, e tentou explicar porquê. Bombásticamente, o jornal lisboeta Público de hoje cita umas linhas do que ele disse e cobriu tudo com o relativamente bombástico título ” o modelo económico moçambicano não é sustentável”. Bem, é e vai ser enquanto metade das despesas públicas do Estado moçambicano continuarem a ser generosamente pagas pelos infames estrangeiros, juntamente com um cocktail de “soft loans” e pacotes de ajuda e ainda doses industriais de investimentos extratcivos e de infra-estruturas. Os pobres assim não morrem, os ricos ficam mais ricos e os doadores dormem melhor. É assim há quase trinta anos. É a situação win-win-win. À moçambicana.

6. Esta semana foi revelado que, para além da actual autêntica rapina das florestas moçambicanas, realizada neste caso por –surpresa! – a empresa chinesa Tienhe Ldª, parceira da igualmente chinesa Miti, Ldª, os moçambicanos, ao apreenderem uma remessa ilegal de nada menos que 161 contentores de madeira em bruto (leia-se: cento e sessenta e um contentores) após uma inspecção (por denúncia) de um navio atracado em Pemba, encontraram lá dentro de um deles (e aqui cito a sempre inquestionável AIM) “126 dentes de marfim, uma ponta de rinoceronte, animal em extinção no país, carapuças [sic] de pangolins, peças de arte fabricadas com base em marfim e excremento de elefantes”. Portanto no mínimo mataram uma manada de elefantes, um rinoceronte e tiraram os carapuços aos pangolins. A contínua matança dos animais de Moçambique para decorar as casas dos chineses e o genocídio florestal em curso em Moçambique há muito que deixaram de me surpreender. No fundo é como aquela  história dos fumos corrosivos da Mozal que só corroem os centros de tratamento, mas não os pulmões dos Maputianos. A história do excremento de elefante é que é uma novidade para mim. Contrabandear excremento de elefante para a China? para quê?

7. Na frente espiritual, o Vaticano lá encontrou e validou um “milagre” que justificasse a beatificação do genial João Paulo II, a ser formalizada a 1 de Maio, dia que nos países outrora conhecidos por comunistas celebram os trabalhadores (para variar os americanos celebram o trabalho, no início de Setembro). Agora procura-se mais um milagre para a santificação. Eu acho que, por uma questão de desburocratização administrativa do processo, devia-se reverter para o sistema moçambicano de decretar heróis, ou o velho processo dos romanos, em que o imperador tinha o direito de proclamar fulano ou cicrano deus. Assim arrumava-se o assunto de uma vez com um papel.

8. Em Portugal, a campanha presidencial assume foros de patético. Em parte porque ninguém percebe bem o que é que um presidente pode fazer para lidar com o crescente clima de recessão. Todos suspeitam que não pode fazer nada a não ser possivelmente piorar as coisas. Felizmente o suplício acaba no próximo fim de semana, após o que a crise poderá continuar. Para já, todos os impostos dispararam mas só daqui a uns seis meses é que se vai começar a sentir o embate. Mas as apostas para a queda de Sócrates são mais curtas.

9. Regressados os restos mortais do saudoso Malangatana a Moçambique, ele foi sepultado na sua terra natal com a pompa e o respeito devidos. Já em Portugal, onde ele morreu, foi tratado com o mesmo respeito. Em Maputo, até o Eduardo White se deu ao trabalho de preparar algo para ser lido na cerimónia do enterro, com alguma ajuda da Lucrécia Paco. Assim, até apetece morrer.

10. Roberto Chichorro inaugura uma exposição da sua arte no próximo dia 21 numa galeria de arte em Cascais. Pelas 21:30 horas.

Olhando bem lá para cima, já me começa a parecer que 2010 foi há uma vida.

28/12/2010

A CORRUPÇÃO EM 2010

Filed under: Corrupção 2010, Mundo — ABM @ 1:29 am

28 de Dezembro de 2010

O jornal britânico The Guardian publicou há um ano um índice de corrupção, compilado pela organização Transparency International, que fez leitura interessante. No dia 9 de Dezembro, a TI publicou o seu Barómetro de Corrupção para o ano de 2010.

Os resultados?

83 por cento dos portugueses entrevistados dizem que aumentou.
73 por cento dos norte-americanos também.
62 por cento dos sul-africanos também.

Quem se considera o mais corrupto na sociedade?

Em primeiro lugar, os partidos políticos.

Seguidos pelos funcionários públicos, depois pelos tribunais e finalmente pelos parlamentos e as polícias.

Os polícias são geralmente os que mais frequentemente são apontados como envolvidos na pequena corrupção.

Os pobres pagam muito mais vezes subornos do que os ricos.

A razão mais frequentemente indicada para se subornar alguém é “para evitar problemas com as autoridades”.

Em todo o mundo cerca de metade dos entrevistados é de opinião que as medidas dos governos para combater a corrupção não são eficazes.

E não confiam em nenhuma instituição governamental em particular para combater a corrupção.

Ainda assim, cerca de um quarto dos entrevistados acredita que o governo, ou a imprensam, podem ser eficazes neste combate.

E uma percentagem elevada acha que os cidadãos têm um papel a desempenhar no combate à corrupção.

15/12/2010

OS AMERICANOS E MOÇAMBIQUE

Filed under: EUA, Wikileaks — ABM @ 3:45 am

por ABM (16 de Dezembro de 2010)

Transpondendo.

O assunto vai por partes.

INTRODUÇÃO

Ao contrário do que alguns possam supor, este texto não é sobre Moçambique.

É sobre os Estados Unidos.

Vamos lá a ver.

Não sei se já contei esta história alguma vez. Isto foi-me contado pelo meu pai. Por volta da Independência de Moçambique, o meu pai esteve em Portugal uns dias, de férias. Eu estive com ele em Coimbra, para onde fui estudar. O pai BM fora um oficial de polícia antes 1972 e conhecia mais ou menos bem o país. Era a nossa casa até então e não havia outra. Não sei como, mas uma agência de inteligência dos EUA pediu para falar com ele. Acho que eram da CIA mas não faço ideia. Dois senhores foram ter com ele, e tiveram uma conversa. Sobre o que se passava em Moçambique, quem era quem, como funcionava o quê, o que é o que pai BM achava disto e daquilo. Eu só me lembro bem dos finalmentes. Eles no fim perguntaram o que é que ele achava que os Estados Unidos deviam fazer em relação a Moçambique. E a resposta dele terá sido: “Os moçambicanos são ciosos do seu destino. Não se metam e deixem os moçambicanos decidirem por eles como vão gerir o seu país. Eles lá saberão melhor o que fazer.”

Na altura, e ainda agora, considero a descrição dessa conversa, que só me foi revelada pelo pai BM já cerca de dez anos, extraordinária, por várias razões, de entre as quais o facto de que, na altura, não só estiveram os EUA a um fio de entrar por Angola a dentro, como já se antevia que a fase da pós-independência ia ser, já estava a ser, o que foi. Os EUA viviam tempos traumatizantes, com a demissão de Nixon e o Congresso a tentar atar as mãos a Kissinger, enquanto que em Portugal o Embaixador Carlucci e os alemães manobravam no sentido de o país não resvalar para o comunismo. No fim, ficou “socialista”.

Em Moçambique, apesar da linha ideológica em sentido contrário seguida pelo regime de então, os americanos abriram a sua embaixada e lá estavam desde cedo, fazendo o então habitual jogo do pau e da cenoura, que ao que sei irritava de sobremaneira os moçambicanos, que na altura viviam tempos de “vigilância” interna e um crescente conflito com os dois vizinhos do lado, por razões digamos que bilaterais. Em 1980 ou 81 meteram alguns diplomatas americanos na rua, mas passados poucos anos veio um degelo muito rápido. Samora mandou o seu homem a Washington preparar o terreno e pouco depois tirou a fotografia com Reagan e a seguir Valeriano Ferrão abriu a embaixada na capital federal americana. Desde então, os EUA têm sido essencialmente parte das troikas que prestaram vários tipos de apoio a Moçambique, directa e indirectamente, especialmente depois de acabar formalmente a guerra em Outubro de 1992.

O CONTEXTO

A ajuda norte-americana é legendária por ser relativamente burocrática e prenha de contrapartidas e exigências. Não vou entrar nos detalhes, mas decerto os exmos. Leitores já ouviram falar das leis americanas que não permitem a ajuda médica em casos em que sejam praticados abortos, ou que para haver ajuda o governo tem que fazer x e y e z. Os americanos não tendem a brincar e estão no mundo para defender os seus interesses, não para espalhar a sua generosidade aos quatro ventos, e o dinheiro é deles. É assim que eu encaro as coisas.

E as coisas estavam a correr mais ou menos bem, até mais ou menos a minha ex-colega de faculdade Sharon Wilkinson, ainda afecta aos democratas de Bill Clinton, ter terminado o seu mandato como embaixadora norte-americana em Maputo em 2003.

Mas, durante esse mandato da Sharon, dois eventos ocorreriam que completamente mudariam tudo.

A primeira, foi a eleição de George W. Bush, que sucedeu a Bill Clinton.

A segunda, foram os ataques terroristas em Nova Iorque e Washington no dia 9 de Setembro de 2001.

Por essa altura, ou melhor, pouco tempo depois, Joaquim Chissano decidiria não se recandidatar à Presidência de Moçambique e o candidato escolhido para a sucessão era Armando Guebuza.

O NOVO CONTEXTO

A natureza dos ataques de 2001 e quem estava por detrás deles, tiveram profundíssimas implicações para os Estados Unidos especialmente na forma em como esse país passou a encarar as suas ameaças e as suas necessidades de segurança, a todos os níveis.

Essencialmente, a impressão inicial nos EUA foi de que os sistemas e os parâmetros existentes para a sua defesa intena e a dos seus interesses pelo mundo, eram totalmente inadequados para enfrentar a nova ameaça, que não era um estado, nem um exército, mas uma “rede” extremista islâmica, minimalista, metódica, bem financiada, bem motivada – e absolutamente mortífera.

Para a combater, o consenso era que medidas excepcionais teriam que ser adoptadas.

E medidas excepcionais foram adoptadas.

Não vou entrar nos detalhes da aparente aventura americana no Iraque, dado que o que nos interessa aqui é África.

E, dentro de África, Moçambique.

ÁFRICA

O novo conceito de segurança norte americano era global e era o de combater o novo inimigo – essencialmente o extremismo islâmico – com todo o vasto arsenal de medidas à disposição do governo norte-americano.

Em África, inportavam principalmente aos Estados Unidos, creio, duas coisas.

A primeira, era não deixar grassar espaços vazios de soberania onde podessem florescer forças alinhadas com o seu apercebido inimigo. Principalmente, estamos a falar de lugares como o corno de África. Mas não só.

Segundo, importava aos Estados Unidos “secar” qualquer fontes de apoio, seja de que forma fosse, a seja quem quer que fosse que prestasse apoio, logístico, mas principalmente financeiro, aos seus inimigos.

Inimigos cujo epicentro geográfico é o Paquistão e o Afeganistão e, também um pouco, o Irão.

E para tal, importava aos Estados Unidos que os Estados africanos exercessem um controlo mais apertado de a) o que se passa dentro das suas fronteiras, e b) o que se passa nas suas fronteiras.

De um momento para o outro, tornou-se muito importante para a estratégia global dos Estados Unidos que os estados africanos controlassem, de forma eficaz e digamos que conclusiva, a circulação de:

–  pessoas
–  mercadorias
–  dinheiro

Parte desses sistemas os exmos. Leitores já têm conhecimento. A legislação norte americana é draconiana no que toca às penalizações a pessoas e empresas que façam negócios com o inimigo, na forma da Lista OFAC – a tal em que foi incluído um conhecido homem de negócios de Moçambique. Mas esta lista inclui milhares de pessoas, de empresas e de entidades a nível mundial, e é gerida por um pequeno exército bem financiado em Washington.

Para além de que a sua diplomacia, se detectar potenciais ameaças em qualquer local, faz saber as suas preocupações e solicita, ou exige, a tomada de medidas para lidar com essas ameaças apercebidas.

Ora, o continente africano é notório pelas suas fragilidades no que concerne a capacidade dos seus países controlarem as suas fronteiras, a circulação de pessoas, o mesmo acontecendo com o seu dinheiro.

E recordo que os dois primeiros grandes ataques da tal rede que dá pelo nome de Al-Khaeda, ocorrreram em solo africano, em Nairobi e em Dar-Es-Salam, há quinze anos.

Existem consideráveis comunidades islâmicas ao longo da Costa Leste do continente, algumas com laços estreitos com o tal epicentro extremista islâmico que é o foco privilegiado da atenção americana.

Mas – perguntará o exmo. Leitor – o que tem Moçambique a ver com isto?

MOÇAMBIQUE

Não estou dentro dos detalhes, mas creio especular educadamente quando postulo que, entre 2003 e 2006, o governo norte-americano começou a apertar o cerco em torno destas questões em todo o mundo – incluindo em Moçambique.

Situação sobre a qual não elaborarei em vista do estatuto deste blogue no que concerne a matéria.

Mas pode-se afirmar que a combinação dos temas, aliás correntes e recorrentes, nos jornais em Moçambique – as percepções e relatos de corrupção, de enriquecimentos rápidos, de uma poderosa comunidade empresarial islâmica, indícios de tráfico de droga e de lavagem de dinheiro, a sua circulação sem grandes restrições, a fraqueza e a falta de recursos do Estado em segurar as fronteiras, os fluxos de pessoas, de bens e de dinheiro (incluindo drogas ilegais), no mínimo faziam com que os norte-americanos se sentissem nervosos com as eventuais implicações de um tal estado de coisas para a sua segurança global.

Pelo menos é o que se depreende.

E aqui entra em cena o Sr. Todd Chapman.

TODD CHAPMAN

Não sei muito sobre este senhor. Antes de ir para Moçambique estava na Bolívia, que não era pêra doce, e onde era conselheiro na embaixada americana local, e que agora é suposto estar (para variar) no centro do epicentro do esforço militar global norte-americano do momento, o Afeganistão.

No entretanto, esteve em Moçambique.

Chapman nunca foi embaixador. Nem sequer era para ser embaixador. Quando a anterior embaixadora cessou as funções, o que aconteceu foi que a pessoa nomeada pela Administração Bush para o cargo não foi aprovada pelo Congresso (não sei qual foi a razão mas isso pode-se saber). E, nessas alturas, a pessoa no cargo dele exerce interinamente as funções do titular da embaixada, com a designação de “encarregado de negócios”. Ou para quem gosta de francês, “chargé d’affaires”.

E assim ficou até meados deste ano.

Antes de se ir embora, houve o famoso episódio, abordado neste blogue algures, em que o senhor do centro comercial em Maputo foi declarado proscrito pelas autoridades norte-americanas.

E, numa viragem quase espectacular, mas relevante, das circunstâncias, aparecem há uma semana quatro mensagens confidenciais escritas por Todd Chapman, cuja autenticidade até este momento não foi disputada por ninguém.

A WIKILEAKS

Devo dizer, primeiro que tudo, que, pese a minha desconfiança e desconforto com uma boa parte da diplomacia, e de alguns diplomatas que já conheci, que aquilo que são e o que representam é algo entre um mal necessário e um reconhecimento de que vivemos num mundo imperfeito. Acredito que são necessários, se bem que sinta que às vezes me lamente demais que eles pareçam esquecer-se de para quem trabalham: os cidadãos dos estados que representam.

E, nesse contexto, é absolutamente imprescindível que o seu trabalho tenha uma componente de absoluta confidencialidade e discrição. Nem devia ter que dizer isto, é por demais evidente. Muita da diplomacia não sobrevive cinco minutos à luz do dia, quanto mais ao escrutínio imediato dos jornais.

Portanto, o traidor que divulgou isto tudo deve ser preso, julgado e condenado, e se possível regado com alcatrão e penas como se fazia nos filmes do velho Oeste.

Por outro lado, quem desenhou os sistemas de comunicações confidenciais dos norte-americanos devia levar outra valente vassourada, pois o que sucedeu não foi uma falha, foi um buraco negro sem fim.

Mas sucedeu. E, para variar, aparece no meio esta entidade, a Wikileaks, quase unicamente habilitada a captar toda essa informação e capaz de a disseminar ao público, através da internet, pelos vistos apesar dos esforços desesperados sobre os quais se vai lendo nos jornais.

As pessoas da Wikileaks parecem ideologicamente motivadas pela teoria, parcialmente válida, creio, de que os estados têm que se submeter ao escrutínio dos seus povos. O que, reconheça-se, não só cada vez acontece menos, como por vezes sinto que assistimos em nossas vidas às piores previsões da sinistra novela de George Orwell, “1984”.

Seja como fôr, o conteúdo das suas divulgações é incontornável. É impossível de ser ignorado. Em Portugal, há dois dias que não se fala de outra coisa senão em algumas revelações feitas sobre pessoas e situações locais, incluindo o Presidente de Portugal, Cavaco Silva.

O que revelam, então, as mensagens de Chapman?

AS MENSAGENS

Provavelmente não há entre o público leitor que tenha lido em maior detalhe do que eu as quatro mensagens assinadas por Todd Chapman. Inclusivé colaborei na sua tradução, pois acredito ser importante que quem lê deve ser capaz de ler o mesmo que eu li. E este blogue é primariamente em português, não em inglês.

E vou ser breve porque não há, na minha opinião, contrário ao que alguns pensarão, muito a dizer.

Nas quatro mensagens de Chapman, não vi prova de coisa nenhuma, para além de que ele parece irritado por os moçambicanos não fazerem aquilo que ele manda. E resmunga e insinua e chateia, porque alguns jornais em Moçambique (que ele cita) dizem que dizem, e ele diz que eles dizem, e ele diz que um senhor diz que diz, e que o outro disse que disse.

Face à gravidade das alegações e insinuações contra um número de pessoas de relevo, não basta, para o leitor atento, a referência ao diz-que-disse-que-ouviu-que –o-outro-disse. E o que o outro acha que.

É preciso mais.

Pode ser que a situação mude, mas para já é só.

O que eu leio nas mensagens de Todd Chapman, creio, é uma mistura talvez de um certo empenho pessoal na sua causa, e, isso sim, o reflexo de uma preocupação absolutamente focada em três coisas: o controlo, ou falta dele, por parte do Estado moçambicano, em relação à circulação de pessoas, bens e dinheiro dentro e para fora das suas fronteiras.

Isto no contexto da batalha que os Estados Unidos estão agora envolvidos e a que acima referi.

Esse é “o” assunto em mão entre os dois estados. E que deve ser resolvido entre os dois estados. Os seus representantes fechados à porta, longe da luz do dia, dos jornais, das televisões e certamente dos blogues. Acordar se há problema, e se há, resolvê-lo.

O resto, e que pode não ser pouco, é, como disse o pai BM em 1975, assunto que é melhor deixado para os moçambicanos resolverem entre si, quando e como acharem melhor.

Foi também por esse direito que lutaram para ser independentes.

Eu sinto Moçambique, e não é boa gente quem não sente. Mas aqui compete-me apenas desejar que tudo corra pelo melhor e que os desafios que se apresentam todos os dias, sejam superados.

THE BEST FOR LAST

A razão da minha dedicação a este tópico, possivelmente dos mais interessantes e reveladores da diplomacia norte-americana em Moçambique nos últimos anos, é cristalina: a clareza total na abordagem a um tópico incontornável da actualidade perante quem lê este blogue, que eu tenho por pessoas inteligentes, interessadas, conscientes e tudo menos parvas. Pegar nos assuntos sérios pela rama é pouco sério.

Numa nota pessoal, já antes me apercebera de alguns dos constrangimentos implícitos de escrever aqui e das suas implicações. Por essa razão questionei a quem de direito se, em tais circunstâncias, se justificaria o meu contributo (totalmente grátis, representando centenas de horas do meu tempo) para esta magnífica publicação electrónica que é, ou tem sido, o Ma-Schamba. Que como muitos dos exmos. Leitores, lia com redobrado prazer muito antes de o Senador ter vindo pessoalmente à minha quinta o ano passado, exortar-me para aqui escrever. Sentindo-se algo ludibriado, a minha retirada para outras pastagens seria a coisa mais fácil e natural do mundo, para mais se em causa está o bem estar de terceiros. Bastando para tal um ténue sinal, que infelizmente não foi dado, ou não foi recebido. Em vez disso, num espaço de vinte e quatro horas, sem qualquer aviso, fui confrontado com a saída em marcha solidária de todos os meus colegas da caneta e a insinuação quase peripatética de ser “eu” ou pior, querer ser eu, o blogue Ma-Schamba. Que, para que conste, e para quem saiba do que falo, não sou nem nunca fui. Que mais não seja porque, declarações, posturas, éticas e estatutos aparte, os ficheiros da Casa estão afinal a um clique de distância e as palavras-chave e os acessos desta casa permanecem firmemente – e bem -com o seu fundador até este momento, o para sempre meu magnífico Senador, com quem tive o privilégio de privar sob este tecto durante um ano e meio.

Com quem aprendi a meter um post num blog.

E só isso já foi obra.

E esta é a sua obra, de sete anos. A que adicionei umas pindéricas trezentas e noventa e seis inserções, quase todas elas inconsequentes. Até por isso, talvez, já fui insultado hoje duas vezes por leitores. Agradeço terem-se dado ao incómodo, mas não precisavam.

Esta é a última vez que aqui escrevo uma nota.

Sanadas as eventuais desinteligências, especialmente lá em Maputo sobre quem é quem e quem fez o quê e porquê e quando – eu assino o que escrevo e sempre o fiz – muito me aprazeria se o Senador e seus amigos aqui voltassem e trouxessem de novo o seu vigor e literacia a todos nós, sob esta marca que já diz algo a alguns, em vez desse tal de pouco-pouco.

Maschamba forever.

(fim)

Comments (15)
15 Comentários »

Esta é uma situação lamentável e penso que desnecessária, embora desconheça os contornos. Acredito que entre gente boa este episódio pode ser ultrapassado! O Ma-schamba não merece acabar assim!

Comentário by José — 15/12/2010 @ 10:58

Não conheço algum dos autores, mas como sou moçambicana, gostava de ler os vossos posts, principalmente, reconheço, os relativos às fugas Wiki fiquei chocada ao ler, até o mencionando lá no spot, que o fundador do Ma-schamba se retirava pois os posts do ABM colidiam com interesses pessoais de quem vive em Moçambique ou lá detém interesses (lá está, de novo, a palavra mágica profissionais…ora, mas não é a liberdade de expressão isso mesmo- o confronto de interesses por princípios ou a verdade só a é quando interessa? Estranha forma de a encarar…Admiro a coragem que é aquela que é actualizada quando dói mesmo, agora, quando é daquela que só se mostra quando convém isso para mim tem outro nome…Como tal, gosto dos seus posts Abraço

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 12:53

Entendam-se que os leitores não têm nada a ver com esta história. Queremos todos o Ma-schamba a funcionar.

Comentário by Pedro Silveira — 15/12/2010 @ 13:11

Este é o último post de um blog onde escrevi sete anos. Já disse tudo o que tenho para dizer e não deveria intervir mais. Mas é o último post, é isto que vai ficar a encabeçar o blog nos anos que estiver disponível e confesso que me custa deixá-lo assim, sem resposta, só para simular a “indiferença olímpica”. Certo que face a ABM já disse em privado e em público o que entendi dizer. Posso (lá está, é mais forte do que eu) apenas responder ao argumentado no texto. Dois pontos: 1) nunca enviei nenhum sinal de desconforto com a presença de ABM no ma-schamba porque nunca o tive. Tive discordâncias, algumas, e concordâncias muitas. Apenas isso. E essas foram recorrentemente comunicadas, numa troca de mensagens abundante, quase sempre divertida, agreste uma ou outra vez. O desconforto, radical, abrangente, que tive este último fim-de-semana foi explicitado em mensagem privada, a qual com toda a certeza esclareceu hipotéticas dúvidas que agora ainda transparecem no texto. É uma situação radicalmente nova, não em grau, sim em género, se se quiser dizer assim; 2) neste contexto de argumentação reduzir esta questão, que tem sido entre-discutida desde há muito tempo, ao “bem estar de terceiros” é penosamente redutor. E é(-me) evidente que isso é sabido por ABM pelo que não uso mais adjectivos. É óbvio que não “é o bem estar de terceiros” a questão, mas que o é com toda a certeza o “nem no bem estar de terceiros pensaste”. A diferença entre as duas posições, duas atitudes, é muito grande. E o ABM sabe-a e percebe-a.

Para, realmente, terminar. Isabel Metello deixa um comentário. Ao longo dos anos aqui sempre disse que a interpretação é uma decisão. Isabel Metello decide interpretar de determinada forma. Quando escrevi o que escrevi antevi a pomposa chegada deste tipo de gente [e eu podia retoricamente ter elidido o aspecto pessoal da argumentação – quem o discutiria? quem o aventaria? Estou certo que ninguém.]. É uma das formas da cobardia, truncar o que os outros dizem e escrevem, deturpar a la carte para poder concluir com aparente panache. Mas é uma aparência vã, apenas com a baixeza da desonestidade, que até transparece na semântica intentada, aventando gente que “lá detém interesses”, da qual nenhum de nós falou – é um deslizar das palavras de quem as conhece bem, e como tal de quem interpreta de um modo porque o quer mesmo, não por mera inépcia. Sempre aqui defendi o direito e, acima de tudo, o dever do insulto – e algumas vezes o pratiquei. Neste seu caso, Isabel Metello, nem isso se justifica. O seu soez comentário é um auto-insulto. Suficiente.

Comentário by jpt — 15/12/2010 @ 16:29

Vai uma pessoa para o mato trabalhar durante 2 semanas e quando regressa encontra uma mensagem destas…

E que tal, para abreviar, ir tudo para banhos natalícios (forçosamente à temperatura exterior ambiente, naturalmente…) e voltarem depois das festas, hã?

Vá lá, se eu até no meio do mato Angolano faço um esforço para ler o Ma-schamba, e outras pessoas fazem o mesmo, é porque merece uma ponderação dos ‘donos-da-bola’.

Boas festas a todos (aproveito a deixa)e sff voltar ao palco em Janeiro!!

Abraços a todos.
Miguel A.

Comentário by Miguel A. — 15/12/2010 @ 18:01

Caro JPT, escreveu “interesses” escreveu e se reler o que escreveu verá de onde parte a desonestidade que invoca…quanto “a este tipo de gente” creio que se enganou…aliás, de onde me conhece para mostrar dessa forma a sua tão elevada educação? Eu baseei-me no que escreveu, não o ofendi pessoalmente, aí está a diferença…aliás, foi a !”este tipo de gente” a quem endereçou um pedido para divulgar o seu blog e fi-lo com todo o gosto, inscrevendo-o na minha lista…agora, eu sou daquele tipo de gente que reafirma: defender princípios, como a verdade, a liberdade, etc…é muito bonito na teoria, mas só GENTE os aplica na prática…e mantenho o que disse…

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 21:28

E passo a citar o seu 8º parágrafo da sua nota de despedida, para comprovar quem está a fugir à verdade: “(…)Para mais, e como já fiz ver em mensagem privada, levantando outra questão. As mensagens americanas vituperam o estado moçambicano. ABM, no seu propósito divulgador e denunciador, assume explicitamente o seu conteúdo como verdadeiro. Ora se assim é, se o Estado moçambicano assim o é, ABM inconsiderou os meus interesses e a minha situação pessoal, familiar e profissional, sabendo-me único residente, único trabalhador dependente aqui e conhecido como fundador do blog que ele utilizou para atacar o poder moçambicano. Bem como, ainda que em menor grau, os dos outros três co-bloguistas que têm também interesses profissionais e pessoais no país. A nenhum de nós perguntou se estaríamos disponíveis para aderir à sua iniciativa. Mais uma vez o refiro, usurpou um local colectivo, com regras bem-dispostas mas explícitas, em função dos seus interesses e/ou das suas vontades (…)”

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 21:49

Isabel Metello V. escreve bem demais para não saber que há uma gigantesca diferença entre referir que tem interesses e gente que detém interesses. Um pequeno deslizar que não é um pequeno deslize, e que mostra bem a sua vontade de truncar e falsificar. E não me venha com retóricas negacionistas em que nem V. acredita Tal como não me venha com falsas reclamações identitárias. Quanto ao resto quis falsificar as minhas afirmações e argumentação, paraodiando-as. E tem a pobre, e atrevida, concepção de que é aqui que deve vir encontrar a “verdade”. Nunca isto foi um local detectivesco, foi sempre reclamado como um sítio de opinião. SEmpre. Quando foi individual, quando foi colectivo. Que V. me venha aqui apoucar a dignidade, falsificando a minha argumentação, e exigindo que seja um local da verdade (já agora, expressa em versão rápida pela wikileaks), ao qual nunca se reclamou, seria paródico se não fosse execrável. E como entenderá muito bem não é por divulgar este ou outro blog que isso tem algum cabimento. Não tem nenhum, nem se dá minimamente ao respeito. É, para mim, ponto final parágrafo. Nem aqui nem em algum outro local V. me merecerá um mero esgar que seja.

Comentário by jpt — 15/12/2010 @ 21:52

Bem, o JPT está a entrar por um caminho desrespeitador e isso não lho admito, pois está a demonstrar uma total falta de educação para com uma leitora do seu blog, que não conhece, que se limitou a comentar palavras suas, que qualquer alfabetizado lê- aliás são afirmações explícitas, o JPT até o poderia ter expressado de forma mais metafórica e, aí, poderia invocar uma interpretação mais subjectiva, mas não- foi peremptório e bem explícito no que afirmou.
Assim, quem não se dá ao respeito não sou eu, pois eu jamais pretenderia responsabilizar alguém daquilo que tinha acabado de escrever. E a Dignidade está ligada à Liberdade de expressão, condigna e não insultuosa.
Quanto aos ressentimentos de que tb fala no seu texto de despedida não me espanta a estratégia retórica, pois a inversão de situações é típica de quem desce de um debate sobre conceitos para ofensas pessoais…

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 22:07

Só mais um reforço: quanto ao seu esgar, JPT, por Amor de Deus, o ridículo tem limites! Quanto aos tiques autoritários implícitos na sua última afirmação, mas julga que estamos aqui numa autocracia ou oligarquia parodiada? A nossa democracia pode não ser perfeita, mas ainda não se chegou ao ponto de se contar consigo para censor rubro. Ou julga que as máximas de Staline já não estão aqui bem desconstruídas?
Olhe, quanto à falsa identidade, mostre que detém ou tem hombridade e prove o que diz. O que quer dizer com isso?

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 22:23

O segredo da felicidade está na liberdade; o segredo da liberdade está na coragem.
(Péricles)

Comentário by espinhoso — 15/12/2010 @ 22:35

A publicação das 4 mensagens secretas no Ma-schamba, na minha opinião, justificou-a plenamente ABM. Sem espingardar, enquadrando historicamente os seus motivos e deixando aos Moçambicanos as ilações. Um abraço.

Comentário by ERFERREIRA — 16/12/2010 @ 5:50

A casa caiu. A Mãe Morreu. Está tudo bem.

Comentário by Pedro Silveira — 16/12/2010 @ 13:02

[…] alguns textos em regime solitário ABM terminou no ma-schamba. No último texto entre aparentes reverências deturpa as minhas opiniões, e isso é feio. Reduz […]

Pingback by ma-schamba e PNETMoçambique « Pouco-pouco — 16/12/2010 @ 14:12

Nas primeiras páginas do jornal Savana, as traduções aqui publicadas. Muito obrigado, ma-schamba.

Comentário by Espinhoso — 16/12/2010 @ 14:23

30/11/2010

WIKILEAKS E MOÇAMBIQUE 996

Filed under: EUA, Mundo, Wikileaks — ABM @ 12:27 pm

O sítio baseado na Suécia que anda a criar problemas aos norte-americanos estes dias.

por ABM (30 de Novembro de 2010)

Há uns três dias que está no topo das notícias que um sítio na internet baseado na Suécia, Wikileaks, anda a divulgar documentos secretos, muito secretos ou de circulação muito restrita (eu nunca percebi as diferenças) da diplomacia norte-americana.

O argumento de quem está à frente deste sítio basea-se, como não podia deixar de ser, nas mais nobres tradições americanas, segundo as quais melhor governa quem governa em transparência.

O problema é que há transparências e há transparências. E aqui, fruto da era digital electrónica, em que tudo é feito em computadores, não se está a falar de um ou dois documentos. O sítio refere duzentos e cinquenta mil documentos. E todos eles muito recentes ou actuais.

Isto é quase inacreditável.

Mais interessante para os Maschambeiros, poderão ser os 996 documentos que dizem respeito a Moçambique.

Que ainda não foram divulgados.

Hum.

O que conterão?

Com a minha sorte, vai-se saber primeiro sobre eles aqui.

A ver vamos.

09/10/2010

LIU XIAOBO

Filed under: Mundo — ABM @ 2:59 am

Os srs do Nobel atribuiram-lhe um Nobel da Paz.

por ABM (9 de Outubro de 2010)

A atribuição dos prémios Nobel (que são uma coutada dos noruegueses, para quem não se recorda) está-se a tornar um pouco como os Óscares de Hollywood: nunca se sabe bem o que dali vai sair.

A julgar pelo que refere uma peça que o Economist divulgou hoje, escolheram oportunamente atribuir o seu prémio da Paz ao Sr. Xiaobo. É um gesto simpático para com ele, ajuda a obviar a ditadura que impera na China desde os tempos do Sr. Mao e ao mesmo tempo obriga a ditadura chinesa a fazer daqueles truques divertidos de desligar a CNN, de bloquear os sítios todos na internet e de rosnar para todos lados, enquanto que nós todos, que lhes compramos tudo e mais alguma coisa, fazemos de parvos, a fingir que eles não são o que são: a maior ditadura que este planeta jamais viu.

Para quem tiver uns minutos, basta ler aqui.

Mas eles hão-de mudar.

Pessoalmente, estimo e gosto de estar com os chineses que conheci toda a minha vida, menos aquela gaja dos passaportes na fronteira entre Macau e a China, quando lá estive, e que era uma cabra do piorio.

04/08/2010

O ADVENTO DE UMA NOVA ERA

Filed under: Mundo — ABM @ 4:34 am

por ABM (4 de Agosto de 2010)

Acima, uma magnífica paródia sobre a actualidade internacional, vindo dos EUA. O vídeo foi produzido por uns tais irmãos Gregory.

Recomendo que o exmo. leitor aproveite para se rir agora, pois os próximos doze meses vão ser qualquer coisa de verdadeiramente memorável.

O texto do vídeo:

HC: Tun tun tun tun tun tun tun tun
Seamos un tilín mejores
Y un poco menos egoístas
Tun tun tun tun tun tun tun tun
Huele a esperanza
FR: In this common endeavor
Huele a esperanza
GB: All of us work together
HC: Tun tun tun tun tun tun tun tun
BO: We must embrace a new era of engagement
Because the time has come
UN Choir: To smell the hope!
GB: For growth to be sustained
It has to be shared

UN Choir: ohhh, We can smell the hope!
BO: The time has come
UN Choir: To smell a better world!!
FR: A better world to live in for future generations everywhere.

AG: Don’t get sick
That’s right, don’t get sick
If you have insurance, don’t get sick
If you don’t have insurance, don’t get sick
If you’re sick, don’t get sick
Just don’t get sick
That’s the Republicans’ health care plan
CC: He has a chart
AG: An angry chart
CC: A chart that helps us learn!
AG: ooh ooh ah ah
If you get sick in America, die quickly
That’s right–the Republicans want you to die quickly if you get sick
AG: I agree!
CC: He agrees!
AG: Angrily!
CC: Cuz he’s angry!

KO: Afford to live?
Are we at that point?
Are we so heartless?
How can we not be united against death?
Us: My BFF Gilgamesh knows eternal life’s an impossible quest

The resources exist for your father and mine to get the same treatment
Us: Yeah, we’re in agreement
But first we gotta lay down some
All: High speed rail
Us: Bail out some
All: Banks
Us: Save your daddy with the leftover change

KO: How can we be so heartless?
Us: We’re nihilists!
KO: How can we be so heeeeaaartless?
Us: We’re tryna die quick!
KO: What more obvious role could government have
Than the defense of the life of each citizen?

KC: How is the Nobel Peace Prize decided?
BS: Well, uh, that is what people were asking all day today
Bølverk: We mix a secret potion,
And roll the ancient dice,
Then hire a focus group
And have a human sacrifice.
KC: A lot of people are asking today why do you think the committee elected President Obama?
Bølverk: I believe a prize for peace should go to the biggest wuss.
BS: They were giving Obama a prize for not being George Bush.
Choir: They can smell the hope!!
KC: Take a deep breath!
Choir: And hope a smelly world!
KC: A deep breath!
FR: A better world to live in for future generations everywhere

12/06/2010

A DESGRAÇA AO VIVO

Filed under: EUA, Globalização, Mundo — ABM @ 8:02 pm

http://www.ustream.tv/flash/mediastream/4424524Free Webcam Chat at Ustream

por ABM (12 de Junho de 2010)

Se o exmo leitor não tiver mais nada que fazer hoje, poderá achar interessante assistir ao vivo, enquanto bebe um cafézinho, a não sei quantos mil metros de profundidade, ao maior derrame de rama de petróleo na história da Humanidade, algures no golfo do México, cortesia da empresa British Petroleum. A emissão vem-nos pela mão da cadeia norte-americana PBS.

Claro que isto tudo pode ser resolvido, se todos nós passarmos a andar a pé e a não desperdiçar electricidade e a consumir desenfreadamente.

Mas fazer isso não é civilizado, pois não? então de vez em quando a consequência é o que se vê ali em cima.

Um repucho de petróleo em bruto, ao vivo e a côres.

08/06/2010

A CRISE E A GUERRA EM 2010

Filed under: Mundo — ABM @ 5:10 pm

por ABM (8 de Junho de 2010)

Há uma semana, o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), um instituto de pesquisa independente fundado em 1966 e financiado primariamente pelo governo sueco (em inglês think tank, que outro dia vi traduzido como um “tanque de pensamentos”) publicou o seu Anuário de Armamentos, relativo a 2009.

Se o exmo leitor for como eu, assistirá durante o ano a resmas de notícias e programas sobre guerras e ameças de guerras por todo o mundo, sem perceber muito mais do que o calor e a tragédia do momento, e quem são os bons e os maus da fita – se conseguir.

É aqui que o SIPRI pode dar uma ajuda, pois entre várias outras funções, o Instituto tenta acompanhar o dinheiro que se gasta despesas e investimentos militares em cerca de 172 países.

Então o que nos dizem os suecos do SIPRI sobre o que se está a passar neste campo?

Segundo o sumário do seu relatório, no ano de 2009 estimaram que o mundo gastou em despesas militares 1.531 mil milhões de dólares, representando um aumento, em termos reais, de 5.9%, 49% se comparado com os valores para o ano de 2000.

Os Estados Unidos, que mantêm um aparato bélico impressionante e que estão envolvidos em vários conflitos abertos ou latentes, representam mais de metade do valor do aumento observado em 2009. Curiosamente, os analistas do SIPRI apontam para a curiosidade de, apesar da retórica e expectativas em relação à presdência de Barack Obama, na realidade os Estados Unidos praticamente não alteraram numa vírgula a sua postura em termos de investimentos militares, que continuam a crescer de forma significativa, tendo o orçamento de defesa dos Estados Unidos em 2009 sido de 661 mil milhões de dólares e o valor para 2010 de 719 mil milhões de dólares e o (preliminar) para 2011 de 739 mil milhões de dólares.

Ou seja, o equivalente a 350 projectos como o famigerado TGV português.

Uma curiosidade, é que no caso dos países que produzem petróleo e gás, o aumento na despesa militar foi astronómico, na ordem dos 200 a 400 por cento em relação a anos anteriores.

Em África a Sul do Sahara, em 2009 gastaram-se 17.4 mil milhões de dólares em despesa militar (o que os EUA gastam em menos de uma semana), um aumento em termos reais de 5.1 % em relação ao ano anterior e 42% em relação aos valores de 2000. Os grandes protagonistas nas despesas militares na África sub-sahariana são Angola, a Nigéria e a África do Sul.

Já a Europa gastou 386 mil milhões de dólares em 2009 – cerca de metade do que os EUA gastaram.

No Médio Oriente gastaram-se 103 mil milhões de dólares.

A América do Sul gastou 58.1 mil milhões de dólares.

A Ásia e a Oceania gastaram 276 mil milhões de dólares. Só a China gastou 100 mil milhões de dólares, menos de um sexto do que os americanos gastaram. No entanto, nos últimos dez anos, o orçamento chinês é o que exibe de longe a maior taxa de crescimento em termos de despesas militares.

Para além disso, em 2009 realizaram-se 54 operações de manutenção da paz que custaram 9.1 mil milhões de dólares e envolveram 219 mil pessoas. Estes valores representam um aumento de 16% em relação ao ano anterior, devido principalmente ao envolvimento internacional no Afeganistão.

Ainda em 2009, o SIPRI estimou que a operação norte-americana no Afeganistão custou 65 mil milhões de dólares, contra 61 mil milhões de dólares gastos no Iraque.

O SIPRI estima que em 2009 os poderes nucleares conhecidos detinham cerca de 7.500 armas nucleares, das quais cerca de 2.000 estão em alerta permanente e podem ser arremessadas numa questão de minutos.

Tudo isto para só nos sentirmos mais seguros e protegidos em casa à noite.

Em resumo, em termos militares, até agora não houve crise nenhuma.

Tirando Portugal, que acho que anda relativamente nas lonas em termos das suas despesas e aparato militares (orçamento de 2.4 mil milhões de dólares em 2009, contra 18.3 mil milhões de dólares dos nuestros hermanos), está tudo bem.

Podemos ir à praia descansados este verão.

Aqui não há crise.

25/05/2010

POMPA, CIRCUNSTÂNCIA E 11%

Filed under: Mundo — ABM @ 5:14 pm

http://news.bbc.co.uk/player/emp/external/player.swf

por ABM (25 de Maio de 2010)

O novo governo britânico, que não tem bem os mesmos problemas do seu congénere português, vai, entre outras coisas, começar por cortar 11 por cento na despesa pública, percentagem que aqui na terra dos brandos costumes, suscitaria imediatamente visões de uma revolta seguida de batalha campal.

Lá em Londres, foi anunciado como se vê em cima.

De facto, em Lisboa, há um ano e meio que só se anuncia, repetida e sucessivamente, o fim da recessão – ali perpetuamente referida como “a crise”.

31/03/2010

AS NOVAS E AS VELHAS FRONTEIRAS

Filed under: Mundo — ABM @ 4:05 am

http://www.youtube.com/v/LZ0ue-XGl9c&hl=en_US&fs=1&

por ABM (Alcoentre, 31 de Março de 2010)

Ouvi dizer que a fronteira Ressano Garcia-Komatipoort vai finalmente ser alterada. Aquilo realmente anda-se a tornar num filme de terror aos fins de semana, feriados e férias.

Entre Portugal e Espanha hoje em dia em geral é sempre a andar sem parar.

Aparentemente, numa fronteira qualquer entre a Índia e o Paquistão é assim como se vê em cima. Confesso que acho piada ao espalhafato, mas a realidade subjacente é pouco feliz.

30/03/2010

O MUNDO DE ACORDO COM LUC FERRY

Filed under: Europa, História, Mundo — ABM @ 3:13 am

por ABM (Alcoentre, 30 de Março de 2010)

No meu estado de feliz ignorância, nunca tinha ouvido falar deste senhor, que é um francês que me parece ser um daqueles deliciosos adiantados mentais, com credenciais académicas que não acabam e uma curiosa visão do mundo, e que tive o prazer de ouvir esta tarde numa emissão da estação de rádio TSF durante um daqueles engarrafamentos de arromba na 2ª Circular de Lisboa, em rota de Cascais City aqui para a província.

Depois de ler José Gil, Luc Ferry, que foi ministro da educação lá na França e que parece que anda a promover um livro que escreveu sobre o amor e o casamento (cuidado que o tema engana, aquilo é duma abrangência fantástica), deu uma entrevista que absolutamente recomendo seja escutada. O exmo. Leitor Maschambiano pode sintonizar aqui e depois ir fazendo outras coisas no seu computador.

Fascinante visão do mundo actual, dos homens, da história, da filosofia, da religião.

Curiosamente, com uma tónica positiva. Com este não há a nebulosa neura que presentemente afecta uma parte significativa da população portuguesa e adjacente.

A entrevista é em francês, mas se o francês do exmo. Leitor estiver como o meu (je confésse que mon français d’aujourd’hui est un peu emmerdé par le temps) não se preocupe: a TSF meteu lá uma tradução simultânea do melhor que há.

Para o exmo leitor leu a entrevista que o nosso pensador top 25 do Mundo, e que veio de Quilimani, José Gil, deu a um jornal de Lisboa, oiça este senhor e tente estabelecer os contrastes nos pontos de vista.

11/12/2009

O Fim do Mundo em Moçambique

http://www.youtube.com/v/1wasF7p8XuU&hl=en_US&fs=1&

por ABM (Cascais, 11 de Dezembro de 2009)

Cortesia de Hollywood e por apenas cerca de cinco dólares (excluindo uma lata de Coca Cola e uma dose de pipocas) o exmo leitor pode ver a mais recente versão do fim do mundo, que é suposto ocorrer no dia 21 de Dezembro de 2012, mais ou menos daqui a três anos.

O novo filme de Roland Emmerich, que custou “apenas” 260 milhões de dólares a produzir e que dura umas quase insustentáveis duas horas e quarenta minutos de ponta a ponta, parte de bases interessantes. Uma, que é mais do estilo “voodoo”, é que o calendário da mais ou menos extinta civilização meso-americana dos Maias, e que nas contas deles indica que o mundo começou há seis mil e tal anos, acaba precisamente no dia acima referido, em resultado de algum (não confirmado) alinhamento de corpos celestes, que eles viram mas que nós hoje não descrutinámos ainda.

Outra base, também comprovada, é que em 2012 haverá um ressurgimento da actividade solar, sendo nessa altura a terra assolada por uma dose acrescida de ventos solares. Isto acontece todos os 11 anos e qualquer vulgar mortal que tenha um rádio de onda curta, opere um satélite, ou faça a gestão de uma rede eléctrica sabe isso.

Uma terceira base é que parte desse vento solar inclui umas minúsculas partículas chamadas neutrinos, que só agora andam a ser estudadas, e que têm a particularidade de poderem atravessar, supõe-se, o planeta de um lado ao outro. Neste filme, o aumento nos neutrinos “ferve” o interior da terra, causando a novimentação das placas terrestres – onde assentam os continentes.

Com esses pressupostos, temos 260 milhões de dólares de fim do mundo, desta vez à escala global, com cenas longas e chatas para entreter meninas teenager californianas e as suas congéneres no resto do mundo. Isso inclui a Califórnia literalmente cair para o mar (o que, sendo do imobiliário mais caro do mundo, dá um certo gozo ver), as magníficas pinturas de Michelangelo na Capela Sistina a desfazerem-se em pó por cima do Papa e os seus acólitos, a gigantesca cratera vulcânica que se situa no que é hoje o parque norte-americano de Yellostone a explodir, o Cristo-Rei no Rio de Janeiro a cair, Nova Iorque a ser demolida mais uma vez, e o maior tsunami na história do cinema a subir até ao pico mais alto da cadeia de Everest, no Nepal.

Isto com a habitual dose de amor, choro, baba e ranho, traição, humanidade e egoísmo que acompanham estas mega-produções.

O que trai o filme são as sequências infindáveis de cenas de perigo em que os nossos heróis (apropriadamente, uma família “moderna” – pais divorciados, o namorado da mãe a reboque, filhos parvinhos mimados e ressabiados) sucessivamente escapam por um triz à mais certa destruição. Na vida real, à primeira pedrada morremos. Mas aqui é umas atrás das outras e sempre tudo a andar. O que me surpreende, pois gastarem-se milhões e milhões em efeitos especiais para emprestar maior credibilibidade às cenas e depois fazer isto é deitar bom atrás de mau dinheiro.

Para os moçambicanófilos, há mesmo mesmo no fim do filme uma cena que não sei se devo rir ou chorar mas que é interessante. Depois de toda a hecatombe, a coisa acalma e os sobreviventes deste fim do mundo rumam, de barco, para o que consideram o lugar mais seguro e com mais chance de vida no que restou da Terra – nomeadamente, a cadeia de montanhas Drakensberg, que percorre a actual África do Sul e que acaba nos Libombos na parte Sul de Moçambique. Como o nível do oceano subiu algumas centenas de metros, no filme vê-se vagamente a maior parte do Sul de Moçambique…debaixo do mar.

Quando saí do cinema só me ria a pensar no que seria os Zulus e os Khosas, depois de aturarem 300 anos de guerras com os boers e lutarem para voltarem a ser os donos daquilo, e de sobreviverem um apocalipse…verem aparecer no horizonte três barcos cheios de gente para colonizar novamente a sua terra.

Seria Vasco da Gama all over again.

Claro que há um elemento interessante a meditar aqui. A julgar pelos apóstolos da desgraça, o mar vai subir uns cem metros nos próximos séculos. E, nesse caso, se se observar um mapa topográfico de Moçambique, o Sul do país literalmente desapareceria debaixo do mar. Para o exmo. leitor perceber o que isso significa, experimente subir ao topo do prédio de 33 andares na baixa de Maputo, que tem cerca de cem metros de altura. Olhe à sua volta e imagine o que é que significa o mar estar a essa altura.

Mas nem é preciso ir tão longe. Até ao fim deste século o mar deverá subir 1 a 2 metros. E se isso acontecer, a maior parte do caminho entre Maputo e a Ponta do Ouro – que já esteve debaixo do mar, pois aquilo é quase tudo areia da praia – será completamente inundada. A marginal de Maputo e toda a orla marítima até junto de Marracuene serão permanentemente inundadas.

Best New Song

MEDAL Nobel-Prize

por ABM (Cascais, 11 de Dezembro de 2009)

Com o JPT em trânsito para a Europa e a Sra Baronesa para o seu retiro de verão em Goa, a loja ficou mais vazia esta semana.

Mas o mundo não parou. Ontem, sentado enquanto bebericava um espesso café com leite, assisti ao vivo na BBC à cerimónia de entrega, pelo Comité Nobel, do Prémio da Paz ao actual presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama.

Como muitos dos exmos leitores, cresci com os sucessivos anúncios das entregas dos prémios Nobel a uma variedade de personalidades, quase sempre tudo boa gente, merecedoras dos mais rasgados elogios, nunca deixando de achar curiosa a particularidade de ser uma prerrogativa da Suécia, um relativamente pequeno país escandinavo mais conhecido pelo seu clima inclemente, pela beleza das suas mulheres e pela qualidade dos seus automóveis (Saab e Volvo), gerir e atribuir estes prémios em relação à nata da raça humana. Fazem-no há mais que cem anos e toda a gente leva aquilo muito a sério.

Uma curta pesquisa leva-nos ao seu criador, Alfred Nobel, que na primeira chance pirou-se da Suécia e foi viver para a mais mediterrânica San Remo, com uns saltos a Paris, e ao seu testamento, onde, para além de umas massas valentes para um conjunto de pessoas de que hoje não reza a história (incluindo uns pós para os seus criados e o seu jardineiro – simpático) deixou um fundo estimado, na moeda actual, em cerca de 250 milhões de USD.

Isto supostamente porque Nobel, que enriquecera obscenamente com o negócio dos armamentos e explosivos, ficara horrorizado com a constatação do que se pensava de si quando, aquando da morte do seu irmão Ludwig em 1888, um jornal de Paris por engano ter publicado o seu obituário, intitulando-o le marchand de la mort est mort, elogiando-o mordazmente pelo seu feito de ter “encontrado melhores formas de matar mais gente mais depressa que nunca dantes na história”.

Seja como for, Nobel canalizou a maior parte do seu património para instituir os prémios (apenas cinco no início) que, depois de uma série de peripécias, começaram a ser atribuídos em 1901.

A nomeação de Barack Obama para o prémio Nobel da Paz de 2009 a meu ver só pode ser contabilizada contra o credo que Obama defende desde que decidiu concorrer para a presidência dos Estados Unidos e o que a sua eleição significou para o mundo, após dois mandatos de George W. Bush e o seu quase narcisismo nacionalista (para não falar do resto, incluindo a actual recessão). Pois que – como o próprio ocupou boa parte do seu discurso de aceitação a explicar, algo eloquentemente – nem ele tem obra feita, nem se pode omitir que é um presidente e comandante-em-chefe de um dos mais poderosos exércitos na história do mundo, envolvido em duas guerras violentas neste momento e a congeminar outras tantas.

Mais do que tudo, Obama sobressai pelos valores internacionais que defendeu – internacionalismo, cooperação, de querer tentar fazer coisas novas, de promover valores fundamentais por que, aliás, os Estados Unidos se bateram praticamente desde que ascenderam à cena internacional entre a I e a II Guerras mundiais, tais como a democracia e os direitos humanos. E uma causa relativamente nova – a preservação do ambiente.

Num mundo cada vez mais globalizado e à beira de um ataque de nervos após oito anos de Bush, ainda por cima vindo do primeiro presidente mulato de um país que até recentemente lutava contra os demónios da descriminação racial e com uma história atribulada no cumprimento da sua promessa de igualdade para todos e ascendência com base no mérito, o surgimento algo inesperado deste homem na cena internacional – um mundo cada vez mais globalizado de cidadãos não brancos, terá sido uma inspiração para muitos. Vagamente reminiscente do que foi a atribuição do mesmo prémio ao grande Nelson Mandela (conjuntamente, para quem já não se lembra, a um muito menos celebrado mas igualmente meritório Frederick de Klerk) em 1993.

Mas, convenha-se dizer, se isto fossem os Prémios MTV, Obama nesta altura teria ganho apenas o prémio “Best New Song”.

Ademais, não sei se repararam que no seu longo discurso ele não disse praticamente nada sobre o Médio Oriente, a quase permanente dor de cabeça do mundo desde que acabou a II Guerra Mundial e que promete novas violências.

A ver vamos no que isto vai dar.

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